Foto: Ilustração
Nesta primeira sexta-feira de agosto, quando é celebrado o Dia Internacional da Cerveja, Campo Grande tem motivos de sobra para brindar. Muito além de uma bebida apreciada pelos consumidores, a cerveja artesanal se consolidou como parte da identidade gastronômica da Capital, movimentando a economia criativa, impulsionando o turismo e criando experiências que vão além do copo.
O setor vive um momento de amadurecimento, com cervejarias investindo em receitas autorais, ingredientes regionais, eventos culturais, música ao vivo e espaços de convivência que atraem moradores e turistas.
Para Lucas Sakate, diretor do Capivas, o principal segredo para conquistar os campo-grandenses é simples.
"Campo Grande é uma cidade super quente. Então, pra mim, a cerveja que combina com Campo Grande é a cerveja gelada! Agora, falando de estilo, eu não acredito que Campo Grande combina só com um estilo específico. Cada vez mais a cidade cresce, tem uma diversidade de bolhas e de pessoas. Então é difícil falar se combina mais com as leves, cítricas, escuras ou amargas. Pra falar bem a verdade, a principal característica é que a cerveja tem que ser gelada."
Segundo ele, o crescimento da cidade também ampliou o perfil dos consumidores, abrindo espaço para diferentes estilos e sabores.
Mais do que cerveja: uma experiência
A transformação do mercado também é percebida por Juliano Dambros, proprietário da Eden Beer. Para ele, o público deixou de procurar apenas uma boa bebida e passou a valorizar toda a experiência oferecida pelas cervejarias.
"O mercado está se voltando mais para o entretenimento do que para a bebida em si. A cerveja entrou em segundo plano: as pessoas estão buscando consumir um produto melhor, em menor quantidade, e que busque uma identificação com o seu estilo de vida."
Um exemplo dessa criatividade foi a cerveja Juma, criada durante o período em que a novela Pantanal estava no ar. A Vienna Lager fez sucesso entre os consumidores e ainda hoje é lembrada.
"Até hoje, muito tempo depois, o pessoal ainda pergunta se a Juma não vai voltar."
Criatividade sem limites
A inovação também faz parte da história da Cervejaria Canalhas. O mestre cervejeiro Renato Heimbach destaca que a experimentação sempre esteve presente no DNA da empresa, que foi uma das primeiras do Estado a trabalhar com frutas brasileiras em suas receitas.
Mesmo em uma cidade conhecida pelo calor intenso, ele defende que há espaço para todos os estilos, inclusive as cervejas escuras.
"Nossa Stout é uma das mais vendidas. As pessoas às vezes associam cerveja escura ao frio, mas se ela for leve, pode ser tomada no calor."
Para Renato, a diversidade cultural da Capital merece ser representada também nos copos.
"Campo Grande não é uma 'pilsen sem graça'. É uma cidade rica em cultura e gastronomia e merece ser comparada a estilos com mais sabores."
Mercado em expansão
O crescimento das cervejarias artesanais acompanha uma mudança no comportamento do consumidor, que busca qualidade, identidade e experiências completas. Hoje, esses empreendimentos também funcionam como polos de lazer, gastronomia e cultura, fortalecendo o turismo local e movimentando diversos setores da economia.
Neste Dia Internacional da Cerveja, os mestres cervejeiros comemoram não apenas a data, mas a consolidação de um mercado que ganhou personalidade própria em Campo Grande.
E, para quem for brindar nesta sexta-feira, fica o principal recado: se beber, não dirija.
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