Foto: Agência Brasil
Mato Grosso do Sul está entre os estados brasileiros com as maiores taxas de estupro, e os dados revelam um cenário de grande vulnerabilidade para crianças e adolescentes. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, sete em cada dez vítimas de estupro no estado são meninas de até 17 anos.
O levantamento, com informações referentes aos registros de 2025, aponta que 75,5% das vítimas de violência sexual em Mato Grosso do Sul são menores de idade. O estado ocupa a quinta posição nacional em taxa de estupros registrados.
No primeiro semestre de 2026, foram contabilizadas 996 vítimas de estupro em Mato Grosso do Sul, de acordo com o Monitor da Violência contra a Mulher, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Apesar de representar o menor número para o período desde 2016, os números ainda mostram a dimensão do problema.
Entre os municípios do estado, Dourados teve o maior número de registros. A maioria das vítimas são crianças, principalmente na faixa etária entre zero e 11 anos.
Em todo o país, o estupro de vulnerável continua sendo a forma mais registrada de violência sexual. Em 2025, foram 64.990 ocorrências desse tipo, enquanto os casos de estupro chegaram a 19.398 registros. As mulheres representam 93,3% das vítimas de estupro no Brasil e, entre crianças de até 14 anos, as meninas correspondem a 85,6% dos casos.
O levantamento também destaca que estados com maiores índices de violência sexual possuem características semelhantes, como áreas de fronteira, grandes extensões territoriais, presença de comunidades indígenas, crescimento econômico e atuação de organizações criminosas.
Em Mato Grosso do Sul, a localização estratégica, com fronteiras internacionais com Paraguai e Bolívia, é apontada como um dos fatores que aumentam os desafios para combater crimes contra crianças, adolescentes e mulheres.
Além da violência sexual, outros indicadores também preocupam. Os casos de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica cresceram 19,4% no estado em comparação com o ano anterior.
Os números fazem parte do alerta reforçado durante o Agosto Lilás, campanha nacional de enfrentamento à violência contra a mulher. A iniciativa busca ampliar a conscientização, estimular denúncias e fortalecer as redes de proteção para mulheres, meninas e adolescentes.
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