Foto: Divulgação / PMCG
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul revelou um esquema de manipulação de crianças e adolescentes pela internet, chamado pelos investigadores de “escravização virtual”. A apuração começou após a morte de uma adolescente de 13 anos, em Naviraí, e apontou que a jovem teria sido vítima de uma rede criminosa que atuava em plataformas digitais.
Durante coletiva nesta quinta-feira (6), a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) informou que o caso deixou de ser tratado como suicídio e passou a ser investigado como homicídio, após a análise de materiais apreendidos durante a operação que identificou os suspeitos.
Segundo a investigação, os criminosos utilizavam perfis falsos nas redes sociais para se aproximar das vítimas. Eles buscavam informações públicas, como interesses, rotina, amigos e familiares, para criar uma falsa identificação e conquistar a confiança dos adolescentes. Depois da aproximação, as vítimas eram levadas para plataformas com menor fiscalização, onde começavam as ameaças, a coerção e o controle psicológico.
De acordo com a polícia, a organização tinha diferentes funções: alguns integrantes buscavam possíveis vítimas, outros faziam o primeiro contato e havia pessoas responsáveis por manter o domínio sobre os adolescentes.
As vítimas eram submetidas a ordens e desafios envolvendo violência, com o objetivo de aumentar o prestígio dos participantes dentro desses grupos virtuais.
A investigação aponta ainda que os grupos disputavam reconhecimento entre si pelo nível de violência praticada contra as vítimas.
A operação realizada pela Polícia Civil cumpriu mandados contra cinco adolescentes e um adulto, em diferentes estados brasileiros. Entre os alvos está um adolescente de 14 anos apontado como um dos líderes do grupo investigado.
Os policiais apreenderam equipamentos eletrônicos que serão analisados para identificar novos envolvidos e possíveis outras vítimas.
A delegada Karine Sanches, da DPCA, alertou para a importância do acompanhamento da vida digital de crianças e adolescentes. Segundo ela, muitos criminosos atuam de forma silenciosa e ensinam as vítimas a esconder conversas e arquivos no celular.
A orientação é que pais e responsáveis acompanhem os aplicativos utilizados pelos filhos, observem mudanças de comportamento e utilizem ferramentas de proteção digital.
A delegada destacou que o ambiente virtual também pode representar riscos e que a supervisão dos responsáveis é uma forma de prevenção.
O caso começou a ser apurado em julho, após a morte da adolescente em Naviraí. Conforme a polícia, a investigação revelou que os envolvidos utilizavam plataformas como Discord e Telegram para comunicação, disseminação de conteúdos violentos e tentativa de recrutamento de novas vítimas.
As autoridades continuam analisando os materiais apreendidos para identificar a extensão da rede e possíveis novos participantes.
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